Pinella

Envelhecer significa ter que comer bem e beber água enquanto se consome álcool etílico a longo prazo (entenda-se, de duas a três horas). Botecos que têm cerveja ‘de litrão’ e conserva de ovo de codorna com validade mais que suspeita começam a educadamente se retirar do rol de possibilidades para uma saída durante a fase balzaca. Nada  contra esses lugares. O problema é que o que se economiza em dinheiro se paga com ressaca, e aí a conta começa a sair toda errada.

O extremo oposto, porém, nem sempre é acessível ou mesmo agradável. Por mais que eu adore os drinks e os petiscos do bar do Oliver, não conseguiria encontrar as amigas para falar besteira (leia-se, palavrões) à vontade naquele ambiente. Também acho o cardápio do Bar Bottarga maravilhoso, mas, não conseguiria ir várias vezes no mês sem ter que apelar para um “book rosa” para incrementar a renda.

Aí é que entram os adoráveis “meio-termos”. Bares que têm cerveja boa, opções razoáveis de vinhos e drinks, e uma respeitável comida de boteco, por um preço que nos permite manter um mínimo de vida social em meio a esta louca crise.

Tudo bem que o Pinella viveu outra crise recentemente, ao ter seus clientes abordados pela Polícia, receber multa por lei do silêncio, e aquele bafafá que quase todo mundo acompanhou pelo Facebook. Mas clientela que se conquista no charme e no serviço, dificilmente se perde, e a verdade é que ali vive um espírito que sempre foi difícil achar em Brasília: o da diversidade.

Não tem como afirmar com um mínimo de segurança com o que trabalha a maioria dos clientes ou de que faixa etária são. É incrível isso. Tem dia de jazz, tem dia de rock, tem dia só de conversa. Tem gente jovem na cervejinha, tem gente mais velha no vinho, tem gente animada no som e gente gulosa na cozinha. E para este último grupo, devo dizer que a casa providenciou um presentão para 2016.

Fui lá no finzinho do ano passado, quando os pratos tinham acabado de entrar no cardápio. Como tinha muita gente, pude provar de um tudo. Mas, confesso, saí estufada.  Adeus pastelzinho sem graça e batata frita de barzinho. Agora, dá para comer mega bem na hora do happy hour.

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Apesar dos muitos pratos novos (me falaram uns 12), cerca de 5 petiscos são revisões melhoradas de pratos da casa, e quem assinou tudo foi o Chef Rodrigo Almeida, A.K.A Rodrigão, que tem bastante estrada. Os nomes dos petiscos continuam homenageando as mulheres, acho que porque as donas são duas gatas loiras e BFFs de um milhão de anos.

O prato para comer de galera e que foi um dos meus preferidos: Geni. São mini sanduíches no pão de forma gratinado com muçarela, presunto de Parma, filé mignon, mortadela, cebola crocante no molho de cerveja. É um negócio estúpido de delícia, saído direto dos sonhos de botequeiros (reli essa escrita 20 vezes para garantir que meu DDA não escrevesse outra coisa), por R$ 28.  Infelizmente, a minha bateria já tinha acabado e essa foto que roubei descaradamente do Finíssimo nem faz jus à lambança linda que é o prato, sabem? Você puxa um sanduíche, aí vem aquele queijo mega derretido, aí você arrasta no molho para pegar mais e aí é só prazer. Enfim.

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A Nívea é um creme de siri servido com tortilhas de milho (R$ 32), que eu achei gostoso, mas separadamente. Tipo,  eu trocaria a tortilha por algum outro carboidrato para acompanhar o siri, mas isso sou só eu.

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O bolinho de bacalhau eu já tinha provado no Duelo dos Cozinheiros que rolou lá, e é feito com mandioca, com casquinha sequinha e MUITO bacalhau (R$32/porção), mas no cardápio ainda vem com geleia de pimenta e um outro molhinho, tipo uma maionese, que, putz, poderia comer uma tarde inteira.

Sim, eu sei que é um borrão. Mas tava ótimo.
Sim, eu sei que é um borrão. Mas tava ótimo.

Outra dica ótima para mesas de galera e uma homenagem (acidental) à minha filha caçula, Maria, hehe. É um sanduíche grandão, dividido em quase 6 partes eu acho, recheado com rosbife de filet mignon, cheddar e tomate, além de cebola
 da casa (adocicada), da cebola crocante e pasta de alho, no pão de parmesão (R$ 27). P.Q.P, que troço bom!!!!

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E, por último, quando eu já chorava lágrimas de comida, a Nina, que é carpaccio de rosbife de filé, com molho da casa, rúcula, parmesão, alcaparras e mostarda, por R$ 27. Eu diminuiria a mostarda, porque ela massacrou um pouco o rosbife, que é um show. Ainda mais para quem ama carpaccio, como yo (sem fotos, sorry).

Uma noite de cerveja e caipiras e esse monte de comidas. Recomendo à saúde mental de todos. 🙂

NOTA DO BLOG: Gostei muuuuuito! (preciso voltar mais ao Pinella, cara)

DICA DO BLOG: Geni/Maria Geni/Maria Geni/Maria Geni/Maria. Eu disse Geni e Maria?

Serviço: CLN 408, vulgo Baixo Asa Norte, no mesmo lugar do antigo Café da Rua 8. Telefone: 3347-8334

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