Ô, PORKETA

É muito chato fazer crítica de um lugar que tem a mesma quantidade de características boas e características ruins. O Porketa é desses com grandes atrativos, a começar pelo ambiente diferente, descontraído, mas bem planejado, com mesinhas de madeira, bancada de atendimento e um porco amarelo gigantesco, ao redor do qual as pessoas podem sentar para comer.

A proposta de carne suína de verdade, com costela desossada e parte da barriga enroladas como um rocambole, linguiça artesanal, presunto tender verdadeiro, a originalidade da combinação das carnes com abacaxi ou com o tomate assado, e a quantidade de sucos naturais e em polpa, são aspectos muito positivos. Mas daí para a frente, a meu ver, a casa perde um pouco do foco.

Tudo bem, é sempre legal ver o esforço da casa em fazer uma ricota ou um ketchup próprios e usar materiais reciclados ou recicláveis. Mas a ideia, nesse caso, é exatemente qual? A onda saudável é tão importante assim, a ponto da pessoa almoçar um sanduíche de tender e se preocupar se a ricota é caseira no salpicão? Sei que carne de porco é saudável, mas não peguei se o importante é o porco ou a ricota. O ketchup, por exemplo, estava super ácido, quando seu atrativo é justamente o aspecto adocicado. Então chame de molho de tomate da casa, por exemplo, para não criar uma expectativa específica quanto ao gosto do produto.

A equipe foi, sem dúvida, super atenciosa, simpática, e se desculpou bastante por quaisquer possíveis lapsos, uma vez que estavam todos em treinamento e fase de adaptação.

O sanduíche estava bom. Provei o prochetta com abacaxi da minha amiga Beth, mas ela preferiu o meu, com tomate assado e cebola roxa. Trocamos alguns pedaços para provar os dois. Estavam bons. Mas, no geral, é um sanduíche normal, não muito farto para custar de R$19,00 para cima. Para mim, inclusive, faltou ‘liga’, molho, algo que desse suporte aos ingredientes. Temos, hoje, uma cultura do sanduíche que inclui o estilo Sky’s, ao industrializado das franquias de fast-food até o hamburguer gourmet. E o porchetta não ressoou em nenhuma categoria. Quer dizer, se ele fosse extremamente saboroso, não precisaria de categoria nenhuma. Seria o Porketa e pronto.

A batata portuguesa (tipo chips) estava bem gostosa, e gostei muito da salada de frango, tipo salpicão, com a tal da ricota caseira. Mas a matemática final de R$20,00 o sanduíche, R$13,00 a salada e R$6,00 fecha em R$39,00 por aquilo que eu considero “lanche” e não uma refeição propriamente dita.

Eu acredito que a casa pode fazer uma contabilidade melhor, cortar gastos de algumas coisas para tornar os preços mais acessíveis. Também acho que poderiam enfrentar sem medo uma proposta que não fique ‘bamba’ entre o light e saboroso, apostando com mais coragem nas carnes da casa, no molho do assado e num sabor mais impactante dos sanduíches.

No final das contas, por enquanto, não foi marcante o suficiente pra mim. Quem sabe, depois que a casa passar da fase de adaptação, eu arrisco novamente.

NOTA DO BLOG: NÃO ROLA/ATÉ QUE ROLA (vale ir experimentar. muitos poderão discordar)
DICA DO BLOG: vale provar o porketa com abacaxi, mas penso que o tender deve ser interessante também.
Serviço: CLS 201 bl. A 3323-1547
 

2 thoughts on “Ô, PORKETA”

  1. Lulu, concordei em tudo desse post, achei uma pena uma casa com tanto carinho na decoração, ambiente, até atendimento para os níveis de Brasilia servir um sanduíche bonzinho e só.
    Também pensei em voltar para provar o tender, uma vez que ele já é defumado deve conservar mais aquele gostinho de fundo de assadeira, como você diz, impactante do assado que a gente faz em casa, e que eu estava procurando.
    Uma pena uma carne tão bonita se apresentar sem graça e ser o carro chefe da casa.
    Tive a oportunidade de experimentar um sanduiche de porcheta fora do Brasil, com sabores que até hoje estão na minha memória.
    É isso, faltou um tempero especial, um tchã a mais, uma raspinha quase queimada da assadeira no molho do assado 😉
    Parabéns pelo Blog!
    Abraços

    Carol

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