Gero

                 Aqui em Brasília ainda tem muita gente que vê os chamados ‘pratos executivos’ com maus olhos. Eu, porém, acho uma oportunidade excelente de agilizar um almoço de dia de semana, reduzindo minhas possibilidades de escolha – pessoas indecisas sofrem muito ao bisbilhotarem o cardápio e sofrem mais ainda com a sensação de ter pedido errado – e de pagar um preço fixo, fechado, para provar entrada, principal e sobremesa.

               Minha experiência no Taypá, por exemplo, que foi eleito melhor restaurante ano passado pela Veja e é um restaurante badalado, foi excelente. Eles marcaram no cardápio quais entradas, quais pratos e quais sobremesas eu poderia pedir pelo esquema executivo, fazendo com que eu tivesse acesso à qualidade integral dos produtos, o que se esperaria de qualquer outro prato para qualquer outro cliente.

                       Não foi esta a impressão que tive do Gero, um dos restaurantes mais comentados e elogiados dos últimos tempos.

                       Ambiente sofisticado e atendimento impecável como todos dizem, isso o restaurante tem mesmo. Espaço amplo, decoração clean. Mas eu ainda sinto um certo peso quando o local me parece formal demais. Comer fora, pra mim, é um ritual de partilha, de dividir com alguém um momento agradável estimulado por boa comida e boa conversa, então aquele clima de silêncio e de ‘se eu falar besteira’ todo mundo vai ouvir, me desanima um pouco. Mas, tudo bem, porque o papo censurado até acabou rolando com as devidas pausas diante da presença do garçom.

                      Mas, enfim, couvert, duas opções de entrada e de principal e uma de sobremesa.  Couvert excelente, focaccia maravilhosa, grisinis e pastinhas. A salada verde com tomate confitado e grana padano da entrada estava extremamente banal, com um exagero de queijo por cima. A sopa de legumes era a outra opção e estava melhor, bem temperada.

              De principal, pescada amarela com molho de tomate e batatas ou ‘massa’ com ragú de cordeiro. Eu acho estranho um restaurante italiano não especificar qual massa seria utilizada, como se fosse tudo a mesma coisa. Mas acabei pedindo, pois é difícil resistir um ragú de cordeiro.

                    A massa era linguini tricolor, e admito que o ponto estava perfeito, macio, mas firme. Mas parou aí. A carne não estava boa, textura estranha, sem sabor. O ragú não teve absolutamente nenhum impacto, e apesar da cor da massa alegrar o prato, me pareceu simplesmente um prato de segunda linha para servir no executivo.

                     Que fique clara a ressalva de que nenhum restaurante jamais se beneficiou do excesso de expectativa do cliente, mas, cá entre nós, eu sou até bem boazinha. Eu gosto de comer tudo e este prato estava blasé demais. Tanto que deixei um monte da carne de cordeiro picadinha sobrando.

                           Já na pressa para ir embora, chegou a sobremesa, uma cheesecake bem macia, muito gostosa mesmo! E apesar da dica dos amigos para evitar rótulos de dois dígitos, o vinho mais barato da carta, um chileno Petirrorjo de R$65,00 foi aprovadíssimo por todos os paladares da mesa. Carmenére leve, ‘redondo’, sem muita adstringência nem acidez.

                           No saldo final, os R$80,00, mais vinho e água e mais 15% de serviço me pareceram mal distribuídos. Pela comida, teria sido melhor escolher apenas um prato principal do cardápio, de R$60,00 que fosse. Para comer só couvert e sobremesa, 80,00 é demais. Então, não foi dessa vez que me encantei com o Gero. 🙁

NOTA DO BLOG: Tenho até receio de escrever isso, mas com base no contexto geral e no tanto que este restaurante é inacessível, fica no limite entre NÃO ROLA e ATÉ QUE ROLA.

DICA DO BLOG: fique nos pratos que todo mundo indica mesmo, como o atum ou o ravióli recheado de pato, que sou louca pra provar. O couvert é uma delícia mesmo e para um restaurante deste naipe, a carta de vinhos tem alguns preços bem acessíveis também.

Serviço: Shopping Iguatemi, SHIN CA 4 – Lote A – Lago Norte. Telefone: 3577 5520.

2 comentários sobre “Gero

  1. Engraçado, eu amo o Gero, mas tenho que concordar com vc: o menu executivo sempre é meio falho. Nunca o prato principal dele passou perto de algum outro prato do menu clássico.
    Não dá pra entender.
    Mas, se eu fosse vc, dava mais uma chance, fora desse menu executivo!

    Ah, e o suflê de chocolate deles é uma coisa de louco de tão bom…

    1. Pois é, a restrição, tenho certeza, se aplica só ao executivo. Um restaurante desse calibre não poderia ter essa fama toda sendo medíocre. Vou tentar voltar!

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