Gastronomia Millennial – Picnik, Mimobar e IVV.

Se você é da geração que parou de seguir tendências urbanas na era grunge, lá nos idos de 94, pode não saber direito o que diabos é um hipster ou um millennial.

Eu explico: sabe quando você vai a eventos gastronômicos, principalmente aqueles ao ar livre, e fica se sentindo um velho ao ver meninas bem magras, com tatuagens super expostas, óculos extravagantes, meninos super barbados, com coques, e todos eles com iPhones? Então, você teve contato com um ser humano da Geração Y, chamado de Millennial, com estilo hipster, e, provavelmente, nem sabia. Eles também têm um gosto forte pelo que chamam de vintage, que é basicamente tudo que era da sua e minha época de criança: vinil ao invés de CD, bicicletas com cestinha, bonequinhos de filmes “clássicos” como Star Wars, etc.

E o que isso tem a ver com gastronomia? Tem a ver porque a gastronomia também é um mercado comercial, que precisa se ajustar aos públicos e aos tempos contemporâneos. Só que a impressão que eu tenho é que algumas propostas são mais focadas nesse estilo e no código millennial do que na comida de fato. E aí é inevitável me sentir alienada desse mercado.

E é isso que está me cansando um pouco. Culpa dos eventos ou dos hipsters? De jeito nenhum!! Só não cabe mais na minha vida ir ao Picnik e ver meninas que parecem da idade das minhas filhas bebendo drinks coloridos e dançando ao som de tuntstuns eletrônicos, enquanto tudo que eu quero é escolher bem o que vou comer e comer em paz. Aí, o que acontece? Minha escolha se baseia em um único parâmetro: onde é que não tem fila nem crianças tatuadas bebendo?

Esses dias fui ao Mimobar. Uma ideia muito bacana, super inovadora. Um terreno vazio da 105 norte transformado em uma vasta coleção de cadeiras de praia coloridas e mesas de latão ou carretel, algumas artes contemporâneas, aluguel de narguilés e contâiners no lugar de salas e prédios. Super legal a proposta. Aí é que vem a minha velhice chata: o cardápio é basicamente de bebidas, com algumas comidinhas aqui e ali, via de regra, veganas e em porções escassas. Por que? Porque é um lugar para quem tem 21 anos. Porque com 21 anos a gente não tem ressaca e prefere gastar com álcool do que com comida. Se eu, hoje, não bebo água e não como bem quando vou beber álcool, o que me acontece não é ressaca, já é um ebola de 48 horas. Fico inválida, doente por dois dias, sacaram?

O espumante Garibaldi, por exemplo, que tomei lá. Apesar de gostoso, não vale R$16,00 por uma tacinha de plástico dessa beeeem frágeis, porque ele pode ser comprado por R$28,00 a garrafa. E eu sei disso. É por isso que as casas de gente mais velha investem em rótulos que não se compra no mercado, para que o cliente não saiba quanto está pagando de lucro em cima da garrafa.

Mas dá para ser hipster sem excluir os velhotes? Dá, sim, senhoooor (imaginem um coro de crianças falando isso, please)!

Um bom exemplo é o IVV Swine Bar, lá na 314 norte. Escolheram uma quadra nada chamativa em termos gastronômicos (locais inusitados = hipster). Um dos proprietários é um jovem barbudo e com cabelo preso para trás (hipster). Eles têm um espaço de coworking (tudo em inglês envolvendo coletivo, cooperação e colaboração = millennial), e um nome também super bem trabalhado (in vino veritás, que vira sigla, que vira logo, que vira referência = millennial).

Perdi minhas fotos, então vão as da internet com os créditos.

Apesar de tudo isso, o espaço tem um charme maravilhoso, um cardápio super variado, para quem precisa comer menos ou mais, pagar menos ou mais; rótulos diversificados quanto à qualidade e preço também. Atendimento simpático, sem precisar ser aquele amigável exagerado (novo all you need is love = millennial), enfim, tudo que cabe na vida para um hipster e para mim. Juntinhos. Dividindo o espaço. Ou melhor, co-sharing o estabelecimento, sem deadline para ser feliz, e com esperança de trabalhar sem ressaca no meu homeoffice depois.

Amém.

8 comentários sobre “Gastronomia Millennial – Picnik, Mimobar e IVV.

  1. Oi!
    Eu ri demais com o seu post, ahaha. Tenho uma experiência parecida com o Mimo!

    Contexto Número Um: Moro aqui na 106 norte e nem sou tão mais velha q o povo de 21 anos (vai, eu acho que nao). Esse espaço da 05-06 norte vem sendo bem prestigiado por eventos tipo aquelas feiras das estações e outros eventos que as pessoas inventam pra juntar um monte de foodtruck nos estacionamentos da 205-206, então a gente meio que se acostumou a descer meio zoado atrás de comida não-tão-barata-assim, mas que não cobra 10 reais de entrega.
    Ok? Ok.
    Contexto número dois: minha família é de João Pessoa e lá, nos últimos anos, houve uma expansão de restaurantes legais que são construídos em contêiners, principalmente pela proximidade com o porto de cabedelo é porque é Estéticamente Agradável é descolado. Alguns tem comida mais ou menos, mas a maior parte deles tem pelo menos hambúrguer, que é O Alimento Das Massas.

    Entra o MimoBar: vejo uma matéria em uma sessão de gastronomia falando que eles iriam abrir uma construção de conteiners aqui, na frente de casa!!! Eu já comecei a sonhar com as opções: ia abrir no inverno, será que ia ter caldos? I ser um conceito interessante! Que tipo de comida iria ter lá? Pelo menos hambúrguer tinha que ter, né, mesmo que fosse uma bosta.
    Enfim, um belo dia estou aqui em casa e todo mundo tá com fome, mas com preguiça, e alguém se lembra: nossa!! Mas abriu aqueles conteiners aqui na frente, vamos descer lá pra pegar uma comidinha?
    Então lá fomos nós, de moletom-camiseta-havainas, pegar algo pra comer.
    Primeiro indício de que algo estava estranho: as pessoas que estavam sentadas nas cadeiras de praia estavam SUPER bem vestidas, produções elaboradíssimas, belos penteados de cabelos em cor fantasia e coques masculinos. Enfim, a gente até falou que devia ser um povo que ia pro Velvet (que fica na 102) e tinha parado ali pra comer antes.
    A gente devia ter reparado, sabe, porque um dos conteiners venda narguilé, o outro tinha um DJ tocando uma musica bizarra e o outro tinha uma venda de blusas feitas com spray. Mas a fome era grande e estávamos cegos aos sinais.
    Chegamos ao único conteiner que estava parecia estar vendendo comida no dia. Pegamos o cardápio, tem escrito Bebidas lá em cima. Viramos o cardápio. Mais bebidas, todas alcoólicas. Lá embaixo, tinham umas porções de petisco com tipo seis pães de queijo.
    Eu olhei pra atendente nos olhos e perguntei: “Não tem comida?”
    Ela: “Tem, olha aí”
    Eu: “mas é pão de queijo”
    Ela: “É”
    Eu: “Vocês não tem bem hambúrguer?”
    Ela: “Bem, tem um povo vendendo comida ali”
    E ela apontou pro contêiner do lado. O que eles tinham: pão com falafel ou carne louca.
    O que queríamos: nos alimentar.

    A gente saiu de lá tipo Velho gritando com nuvens e dizendo que os hipsters iriam destruir tudo que temos de mais sagrados, atravessamos o eixo e fomos comer algo nos foodtrucks da 206 ¯\_(ツ)_/¯
    Sua análise foi bem precisa porque o lugar é claramente feito pra esse público bem específico de pessoas de 20 e poucos anos e a gente acaba quebrando a cara quando é atraído pelas luzes bonitas que nem insetos, ahaha. Eu acho que deve ser legal pra quem gosta, né, mas tô traumatizada desde essé dia, ahaha

    1. hahahahahahahah Menina, foi tipo isso mesmo. “6 pães de queijo” e o que mais?? 7 hambúrgueres do lado? Se eu não comer, a ressaca mata! 😛

  2. to querendo abrir um estabelecimento vintage pros millenials. chineladas anos 80. vc escolhe rider, havaianas, com corrida, sem corrida, se escondendo mas vai ser pior, e nosso cinto de couro envelhecido por 18 anos. uma certa brisa do que criou a ultima geraçao que não merecesse um virus mortal pra sumir com a humanidade. bom que no outro dia vc mostra o carimbo na lomba provando que levou uma chinelada no local. tipo carimbo do centro ITA.

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