Ernesto Café e WTF??

Olha, para começar esse post eu já faço o seguinte ‘mea culpa’: o mercado da gastronomia não é nada fácil. Eu sei. Todo mundo sabe. Não é fácil criar um produto, vendê-lo bem, sintonizar o serviço, manter cliente feliz, pagar impostos, cuidar da qualidade, etc. São muitas frentes de trabalho dentro de um único estabelecimento. AGORA, quem sai na chuva é para se molhar, e tem casos nessa cidade que estão saindo do controle.

Eu acho o Ernesto Café uma graça. Eu queria que o decorador de lá decorasse minha casa. Eu acho as comidinhas deles bem apresentadas. E acho muito chique o clima cult que se criou por lá. Parece que tomar um café no Ernesto segurando um livro quase se equivale a, de fato, lê-lo, de tão intelectualmente satisfeito que a gente fica.

Mas, pelamor. A casa precisa acordar.

Há alguns anos eu participava de um clube do livro que se reunia lá. Naquela época, nem de longe se via as hordas de gente estilosa (milleniais dominaram o mundo, leia aqui!). Normalmente, era nosso clubinho e uns gatos pingados à noite. E, ainda assim, qualquer pedido era um parto. Pedíamos um vinho X, mas ao pedir a segunda garrafa não tinha mais dele. Poxa, dá uma avisada antes, senão os vinhos ficam uma mistureba de uvas e estilos. Pedíamos a comida, que demorava ou vinha o ingrediente extra do fulano no prato do beltrano, por exemplo.

A nossa última visita foi marcante: enquanto estávamos lá dentro do estabelecimento como a última mesa de clientes, porém, dentro do horário de funcionamento da casa, resolveram que era uma boa ideia dedetizarem a casa, com a gente lá. Respirando veneno. W.T.F??

Enfim. Séculos depois e minhas amigas bloggers que não vejo há tempos marcaram um café da manhã de sexta-feira por lá. Cheguei e vi a casa lo-ta-da. O jardim de trás fica tomado. Um bando de gente bonita, com os óculos de grau mais coloridos e lindos, e caras de quem trabalham na MTV, se ela ainda existisse.

Sentamos confiantes, pedidos já engatilhados e lá vem o Ernesto….trazer comida fria, esquecer da água que foi pedida antes que os cafés chegassem, prato molhado, prato sujo e sempre com aquela sensação de que se a gente insistir no pedido estaríamos sendo umas sacanas maldosas com os atendentes, que começariam a chorar.

Foi aí que desistimos. Porque se o estabelecimento não escuta a gente, a gente parece que pára de sentir o gosto da comida. A experiência vai TODA pro brejo.

E não tô falando que ninguém precisa ser uma máquina de atendimento, mas uma característica primordial de qualquer trabalho que envolva atendimento ao público é atenção, observação e cortesia. Juntos. Ao mesmo tempo. Não adianta ser fofa e trazer o ovo mexido gelado.

Foi isso. Eu espero, de verdade, que o Ernesto não busque se garantir só no charme…

24 comentários sobre “Ernesto Café e WTF??

  1. Aqui em Brasília os atendentes não são treinados. Os donos dos estabelecimentos não se preocupam com isso. Eu costumava me irritar muito com a demora do Ernesto. Agora eu só vou lá se estiver com tempo sobrando e sem estar morrendo de fome.😕

    1. Mas sabe que eu acho que não é só treinamento, é que acham que o serviço de atendente é para quem não tem carreira. tipo, qualquer um faz. Mas tem que rolar uma vocação para trabalhar com isso. É só ver o que um garçom ou garçonete bons conseguem fazer com uma mesa. A colega leitora ali em cima descreveu sobre o problema de confundirem lactose com gluten…é demais para quem trabalha com comida, né?

  2. Já cheguei a duvidar da minha própria existência naquele lugar – atendentes passavam por mim como se não me vissem. Mas não é exclusividade do Ernesto atender mal. Não lembro de um atendimento que tenha me cativado ou que me tenha feito voltar, em Brasilia. Lembro das pessoas que falam do mal atendimento na Europa, por exemplo, mas existe uma diferença: eles não são um poço de simpatia, valorizam o próprio trabalho.

  3. Achei que o problema era só comigo. Duas vezes já pedi ovo mexido e veio frio. O suco de laranja, meu Deus, por duas vezes tambem nao consegui tomar, a impressao era que tinha sido feito a bastante tempo.
    Já os bolos nao tenho do que reclamar.

  4. Curioso que fui no Ernesto ontem e me arrependo amargamente de ter prestigiado o local com a nossa presença. O atendimento de fato não é bom.

    Sou celíaca e um estabelecimento que tem uma hashtag #GlutenPorFarvor pra mim não soou legal, ele já escolheu o público dele e não sou eu.

    O atendente, inclusive, me disse sem titubear ou duvidar de si, na lata, que o chocolate quente tinha glutén. Estranho.. “Você tem certeza?” “Tenho”… pressionei mais um pouco: “Uai, mas geralmente não tem glúten no chocolate belga”, e a resposta? “Bom, mas nosso chocolate tem! mas se você quiser temos a opção com leite de castanha”. Certamente, se me ofereceu leite de castanha, nem sabia o que era glutén, confundiu com lactose, isso se repetiu com outro garçom, (apesar de falarem com muita convicção e não me permitirem nem argumentar), nem se dignaram a ir na cozinha conferir ou com gerente… Enfim… Não volto mais lá.

    DETALHE!!! Liguei agora no Ernesto e questionei à alguém que — finalmente– sabia o que era glutén e adivinhem!!!!! o Chocolate NÃO contém glutén. ¬¬

    1. O povo usa tanto a dieta para evitar o glúten que, aí, o estabelecimento vai e acaba atacando quem realmente tem uma intolerância!
      E o chocolate com gluten….jesus. Eu acho que isso não é nem questão de treinamento é de aptidão para perceber e entender um mínimo sobre comida.

    2. A casa é totalmente despreparada para atender celíacos. Todas as vezes que perguntei sobre as opções Gluten free do cardápio, haviam pouquíssimas e certamente NÃO seguras para o público celíaco. Me senti questionando uma coisa absurda e que foi interpretada como uma “frescura”. A cada dia que passa os estabelecimentos estão se preparando para receber essa demanda e criando opções no cardápio para celíacos… mas o Ernesto parou no tempo. Aliás, mudar o cardápio para quê? a comida não é barata, é servida fria e mesmo assim, a casa vive lotada! Culpa de quem? Do consumidor que mesmo mal atendido volta lá. Eu tb não volto mais.

      1. Tane, minha amiga que é vegetariana me contou ontem que foi lá e pediu o café da manhã completo, mas só depois lembrou que o ovo mexido vinha com bacon. Aí, ela pediu educadamente que a atendente avisasse a cozinha que era sem bacon e a moça ficou reclamando, dizendo que o pedido já estava sendo feito e tal. Para retirar um bacon antes de chegar à mesa e foi tratado com um abuso. Acho muito estranho isso. Ontem, passei bem na frente e adivinha? FILA!

  5. E eu me achando um ET por ter odiado o Ernesto na primeira e única vez que fui. E as pessoas toleram o péssimo atendimento e o ovo frio pq o Ernesto foi alçado ao posto de lugar bacana/cult… e convenhamos que não é barato!
    Finalmente alguém disse o que penso de lá!
    E não estou sozinha, haja vista a participação nos comentários!

  6. Não bastasse tudo que já foi dito, lá foi onde comi a pior tapioca da minha vida: ressecada, dura e sem sabor nenhum. Horrível! Esse café elitista já era há tempos.

  7. Penso exatamente o mesmo do Ernesto. Pra mim é sinônimo de lugar cheio e crise existencial (adorei isso, vou usar sempre agora hahah). Não adianta ser lindo se faz a gente passar tanta raiva…

  8. Era frequentador assíduo. Até q certa vez meu pedido demorou taanto para chegar que fui até o balcão saber oq tinha acontecido. Quando cheguei lá meu pedido inteiro estava sobre o balcão.. resolvi eu mesmo me servir, quando comecei a comer TODO frio.
    Nunca mais voltei

  9. Em absolutamente todas as vezes em que estive no Ernesto eles erraram o meu pedido. TODAS.AS.VEZES. Eu juro que nas últimas vezes eu procurei uma câmera escondida, porque tinha certeza que eu estava participando de uma espécie de pegadinha. Chega a ser cômico o péssimo atendimento de lá. Sinceramente, eu acho que o Ernesto tem o pior atendimento de Brasília… e olha que pra ganhar esse prêmio tem que ser excelente em ser ruim, porque né. Não volto mais.

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