Criticar é fácil, fazer é difícil….?

Verdade seja dita, os proprietários têm todo direito de ficarem putos com certos tipos de críticas. Como blogueira, já teve proprietário e chef que me odiaram com força.

Só que eu, para criticar, sigo alguns procedimentos básicos, que envolvem também intuição e “feeling”. Por que? Porque muitas vezes, o ideal é informar na hora, ao estabelecimento, que há algo errado ou desagradando. Para que o gerente, proprietário ou garçom possam propor uma solução e evitem a crítica pública posteriormente.

O que os proprietários revoltados com críticas têm que entender é que, por vezes, os atendentes, sejam de que cargo for, deixam bem claro que não querem ouvir nada ou que não farão nada a respeito. Normalmente, são esses casos de descaso que se tornam críticas revoltadas depois.

Ninguém quer sair puto do restaurante, sem comer, ou comendo mal. Ninguém (eu espero) sai para comer rezando para ser mal atendido e ter a experiência estragada por uma comida mal feita.

Eu até entendo que as pessoas têm o péssimo hábito de se sentirem muito mais motivadas para criticar do que elogiar, publicamente. Mas os restaurantes precisam entender que é muito frustrante quando as coisas dão errado, seguidas vezes, e o cliente sente que não está sendo ouvido.

Enfim, esse texto começou em outra linha completamente, porque eu ia falar do Café Seu Patrício, que é uma delícia, mas que, porém, na primeira visita, me serviu um waffle queimado e duro feito pedra. Mas que ao pedir, por favor, que trocassem, a casa me atendeu bem, não me questionou (mas não tinha como, pela própria cara do waffle) nem me constrangeu.

E eu, que até pensei “eles podiam nem ter mandado desse jeito, porque é óbvio que tá ruim”, desisti de focar na crítica e vi que foi um lapso que passou e que podia ter acontecido com qualquer um.

Então, aos restaurantes bons que receberam críticas injustas: minha empatia e apoio completo. É muito difícil viver numa sociedade que pega um erro e transforma numa descrição absoluta e definitiva do lugar.

Aos restaurantes que não querem ouvir nenhuma crítica, por mais construtiva que seja, e que não estimulam o diálogo da equipe com os clientes: estamos de olho.

Antes da conversa

Depois da conversa

3 comentários sobre “Criticar é fácil, fazer é difícil….?

  1. Brasília carece de crítica gastronômica confiável. Mesmo no seu blog, que – vá lá – é um dos poucos que se salvam, metade do conteúdo é press-release. Ainda melhor do que aquela senhora do Correio, cuja coluna é 100% press-release sem medo de ser feliz.

    A melhor colunista de gastronomia de Brasília atualmente é a Bárbara Cortez, do Metrópoles (http://www.metropoles.com/colunas-blogs/ao-ponto). Críticas embasadas, sem medo de ferir suscetibilidades e nem paúra de elogiar quando cabível.

    1. Oi, Nélio. Na verdade, os últimos posts foram press releases justamente porque não ando com nenhuma motivação. A Bárbara vai na conta do Metrópoles, tanto para pagar quanto para criticar, o que é excelente de fato. No meu caso, fica impossível conhecer cada restaurante que abre, porque simplesmente não tenho nem o orçamento e nem o pique. Entretanto, por rejeitar muitos convites, estou completamente fora do circuito “coma de graça, mas fale bem”, até porque nunca foi meu foco. Os releases ajudam apenas a apontar as novidades que não vou ou não quero cobrir pessoalmente, entende? Tanto que este blog aqui, vai até mudar de perfil, porque para fazer algo profissional, mas de graça, fica impossível. É conta de restaurante, revisão textual, criatividade, tudo isso sem retorno financeiro. Acaba cansando. Enfim, super coerente seu apontamento, só não resisti ao desabafo pessoal na oportunidade. Abraços!

      1. Essa postura de não aceitar convites é mais do que louvável, é admirável. Eu escrevo bastante no Trip Advisor, e não dá pra não ficar com uma certa “inveja branca” de quem é convidado pra eventos gastronômicos. Ainda mais pessoas “normais” como nós, sem grandes fortunas, que às vezes pagamos centenas de reais numa refeição e ainda damos “de presente” ao mundo nossas impressões (sem mencionar o benefício ao – no meu caso – Trip Advisor, sem retorno NENHUM)…

        Mas de fato não dá pra avaliar um lugar tendo sido convidado. Há quem faça, mas esses pra mim não têm credibilidade nenhuma.

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