Ashram – mais namastê, por favor

Minha primeira experiência com comida indiana, há milhões de anos atrás, foi em Nova Iorque. Sim. Eu já fui phyna, antes de virar neo-pobre.

O restaurante, que era super bem recomendado, servia um buffet, super restrito, e a impressão que eu tive é que aquela era a comida mais brasileira possível – lembro muito de arroz e um picadinho de carne de cordeiro com um molho bem denso – só que MEGA apimentada. Digo, mega mesmo. Quase impossível de comer de tão ardido. Não rolou.

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Depois disso, ficou muito difícil encontrar boas oportunidades de tentar me reaproximar de comida indiana. Até conhecer o Piauíndia, há uns dois anos atrás. Ali foi que eu entendi que além da comida, o clima namastê faz muita diferença. Para quem não teve chance, o Piauíndia (que reabriu na Vila Planalto) funcionava numa casa maravilhosa, que deixava todo mundo à vontade – ou o nosso grupo que era muito entrão mesmo e chegou chegando e foi ficando…até 6h da tarde – e isso meio que vai te fazendo entrar no clima. Os pratos, com camarão ou cordeiro, as samosas de entrada, tudo era saboroso, não apenas apimentado.

Divago.

Quando fiquei sabendo do Ashram, não fiquei mega empolgada justamente por pressupor que uma casa indiana funcionando na Asa Norte dificilmente criaria o ‘Namastê’ necessário para eu entrar no climão. E aí, quando resolvi ir, ainda tomei a brilhante decisão de ir com minhas filhas, num dia qualquer da semana, no horário corrido de almoço. E quando cheguei lá, era aniversário do restaurante. Ou seja. fodeu.

A varanda é charmosa, certamente compõe o clima. Imagino que, à noite, com temperaturas mais amenas, seja bem gostoso comer por ali. As mesas estavam lotadas, mas demos sorte de pegar uma que acabara de vagar. Sentamos e quando olhei aquele tanto de gente, tentei avaliar a quantas andava o serviço ao que percebi um total de dois garçons. Putz.

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Não há namastê no mundo que faça alguém feliz levantando a mão o tempo todo, dando tchauzinho, pedindo pelamordedeus por uma água sem gás para as crianças e sem poder perguntar nada sobre o cardápio porque, simplesmente, não dá tempo. Dava pra ver que a equipe tava super se esforçando, nenhum garçom estava parado, salvo engano, vi até os donos de olho no movimento lá de dentro, vigiando as mesas que precisavam de atendimento.

Mas a nossa mesa era composta por criaturas que não têm compreensão objetiva suficiente a respeito da necessidade de espera. E a outra era minha filha caçula. Quanto mais minha mais velha reclamava do calor, da demora e da existência de formigas no mundo e naquele cantinho super arborizado, mais eu me irritava.

Pedi de entrada bolinhos de lentilha, chamado Vada. 04 unidades (faixa de R$15,00 a R$20,00, não me lembro mesmo) acompanhadas de salada e chutney. Delícia, saboroso, simples e bem feito. Desses pratos que fazem você tirar onda que comeu vegano e  se saiu bem.  Repito, muito bom mesmo! Sem querer dar vazão à Bela Gil dentro de mim – até porque ela não existe – mas era o que crianças que comem nuggets deveriam estar comendo.

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De prato principal, confesso que fiquei na dúvida ao ler duas descrições idênticas dentre os pratos rápidos.  Pelo pouco que o garçom que passou correndo conseguiu me explicar, um era picante, o outro, menos picante. Com crianças, pedi um de cada. E não vi a menor diferença. Não que isso seja ruim, mas como nenhum dos dois estava realmente picante, imagino que um cliente que vá na expectativa de queimar a boca fique decepcionado.

Arroz, cubinhos de tofu com um molho cremoso, quase uma sopa, de pimentão vermelho (eu imagino), saladinha, espetinho de tofu assado, cozido de grão de bico, pimentão recheado, molho de iogurte e o famoso chapati, que é o pão indiano. Não lembro o nome do prato, sorry, mas o preço era na faixa de R$35,00.

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Cara, a irritação foi embora. Comemos bem, achei tudo muito saboroso. Não senti falta de carne e, destaco, me senti satisfeita durante a tarde inteira.

Uma comida indiana levemente adaptada ao brasileiro que não tem boca de amianto. <3 Super valeu a visita.

Nota do blog: hum…gostei. Voltarei. Sem filhas.

Dica do blog: o Vada é necessário, os pratos podem ser bem explorados, mas a panqueca indiana (masala dosa) dizem que é maravilhosa e quero provar.

Serviço: CLN 103 bloco A. Fica escondidinho, mais virado para a residencial, mas não tem erro. Telefone 35471-5670.

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