Arrozeria

Sabe quando você fica namorando um lugar, imaginando como ele realmente é? Quando você passa sempre na frente de um restaurante e tenta entender qual é a proposta, o que aquele nome esconde e o que ele promete? Então, toda vez que eu passava na frente da Arrozeria, rolava a maior paquera. Eu olha para o letreiro, ele olhava para mim. Eu pensava se serviam apenas arroz, de vários tipos, e comecei a achar essa proposta o máximo.

O tempo passou e passou e eu cansei da idealização. Resolvi que era hora de levar as coisas para um outro patamar. Mas a realidade tem esse jeitinho de nos ensinar algumas lições.

O lugar parece ser bem mais charmoso e aconchegante por fora. Não que o ambiente seja completamente desprovido de personalidade, mas fica uma coisa meio confusa quando se vê uma decoração meio rústica misturada com uma máquina de frozen iogurt. Sim. Você ganha uma casquinha de sobremesa no prato executivo, vejam só.

A clientela também era bem diversificada, mas ainda limitada a grupos de colegas de trabalho e alguns poucos casais. A única louca com duas filhas era eu. Agoniada, com fome, com pressa. Enfim, um estado nada promissor para conhecer um lugar. De cara, senti uma certa antipatia vindo do garçom. Mas podia ser só uma projeção – eu manjo das psicologias – pois eu é que estava na pilha para ser atendida com urgência.

Uma rápida olhada no cardápio e vi que há, sim, muitas variedades de arroz. Mas todos listados como acompanhamentos. Acho que queria um lugar onde o arroz fosse o grande destaque do cardápio, porém, tinha que agir depressa e bati o olho no Filé a Oswaldo Aranha e no prato do dia, que era strogonoff de frango, para as crianças. Tem limite de idade e de dignidade para comer strogonoff de frango em público, pagar por ele (R$23,90) e ainda achar bom. Só falta pedir mamão papaya com leite condensado de sobremesa. Declínio total.

Os pratos vieram relativamente rápido, precedidos de uma saladinha de entrada que quase não lembro. O meu prato surpreendeu. Simples, com uma apresentação quase caseira, mas carninha bem temperada, macia e ovo com gema mole. No fim, das contas, por R$26,90, foi um prato que achei muito bem servido. A ponto de não conseguir terminá-lo. Ah, destaque-se que não tinham mais batata frita e, por isso, trocaram por batatas smiles. Pra mim, uma falha (e indicação que rola uma McCain sinistra na cozinha). Para minhas filhas, uhu.


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O strogonoff delas totalmente dividível, e saboroso. para um strogonoff.de.frango.

No geralzão da experiência, a visita valeu para quebrar o encanto da idealização. De verdade mesmo, eu acho que valia uma boa e metódica consultoria ali dentro. Dar uma delineada melhor no cardápio, alinhar o clima da casa com a decoração e arrumar um lugar para socar aquela máquina de casquinha de frozen.

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Enfim, não senti que paguei muito mais do que pago em muito self service por aí. Mas vou ter que pensar em novas maneiras de testar o lugar. Talvez um jantar, quem sabe.

PS: esqueci as fotos em outros computador. Posto amanhã. Sem falta. Se eu achá-las.

NOTA DO BLOG: hum, ok. As notas são novas então, tradução: “Os donos estão tentando, dá pra reconhecer o esforço, mas ainda falta consertar muita coisa”

Dica do blog: ah, vamos arriscar o arroz biro-biro da próxima vez, né?

Serviço: CLN 310, bloco D. Telefone 3202-2024.

 

2 thoughts on “Arrozeria”

  1. Olá Lulu,
    Tudo bem? Primeiramente achei suas críticas bastante justas e equilibradas. Meus parabéns!
    Nós retiramos a máquina de frozen no início deste ano e ela era um resquício da mesma empresa que antes era a Yogofit Frozen Yogurt. Tínhamos 3 máquinas e deixamos uma pensando em migrar nossa clientela gradualmente para a proposta do bistrô.
    Quanto ao cardápio, implementamos diversas mudanças neste ano e eu diria que vamos amadurecendo nossa proposta de acordo com o que sentimos e ouvimos de cada cliente.
    Continuamos quebrando a cabeça, mas atentos a efetivar mudanças que venham a lhe atender melhor e oferecer produtos melhores.
    Obrigado e esperamos pelo seu retorno,
    Kadu Gomes

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