Abbraccio e meu tique com franquias

Finalmente fui no Abbraccio, que é franquia prima do Outback Steakhouse, lá no Shopping Iguatemi.

Antes de mais nada, meu problema com franquias é notório, mas se resume basicamente a dois pontos: primeiro, muitas franquias refletem uma preguiça absurda dos investidores, que acham que basta ser pop e bonitinha que a coisa vai render. Taí, um monte de yogoberry e quiosques de paleta mexicana fechados que não me deixam mentir.

Segundo, as franquias no Brasil tiram muita onda de fineza e luxo, e acabam cobrando o mesmo ou mais que muita casa local onde há um(a) proprietário(a) ou Chef se dedicando para criar um menu, para conseguir bons fornecedores, para calcular o custo real e gerar uma clientela.

A franquia recebe produtos porcionados, temperados padronizadamente, para serem preparados padronizadamente, por uma central que dita o cardápio e qualquer alteração.

Então, assim, me parece, de cara, meio injusto pagar R$56,00 num Carbonara, que não custa isso de maneira alguma para uma casa franqueada tão grande.

O prato estava péssimo ou intragável? Não. Trata-se, afinal, de uma franquia bem responsável. Mas tava pesado na gordura, o molho não ficou sedoso, foi empolando e o no fim tudo pareceu sem frescor, como se tivesse sido preparado há horas. Eu que sou eu, e estava com fome, não comi tudo porque senti aquele “bum!” no estômago. E, apesar do Carbonara ser um prato rico, à base de ovo, queijo e pancetta, quem sabe fazer consegue deixá-lo levíssimo. Meu ex tinha as manhas, por exemplo. Tratoria 101 faz e o fechado Cuccina do Guiseppe também tinha a habilidade. Tudo casa local.

O do Olivae, por exemplo, nem achei leve, mas, poxa, você vai lá, vê o Chef fazendo seu prato na hora, rodando aquela massa do parmesão, tudo fresco, tudo planejado para o cliente, e, na época que provei, era menos que esses R$56,00. No food truck do Chef Agenor, come-se por R$20,00.

Então, fica aquela situação em que tudo dá certo, mas como experiência gastronômica, é tudo meio blé.

O chá gelado é o mesmo do Outback, o atendimento é ágil, mas bem naquele estilo ou meio robótico ou amigavelmente força-barra.

E ainda achei vacilo trazerem um prato infantil bem antes do outro. Uma filha minha ficou lá babando na pizza da outra – que verdade seja dita, me surpreendeu, bem gostosa, a mini pizza de muçarela.

Então, é isso. O Abbraccio é um lugar legal? Sim, é limpinho, arrumadinho. Tem comidas italianas? Não. Tem pratos tradicionais da culinária italiana, mas um italiano morre antes de comer carbonara e lasanha numa casa onde as coisas vêm fechadas em saquinhos plásticos para a cozinha só preparar.

Para um almoço executivo de Shopping, pela rapidez, deve funcionar legal também. Mas “almoçar ou jantar à italiana” numa franquia, para mim não rola mais.

3 comentários sobre “Abbraccio e meu tique com franquias

  1. Realmente, R$56 num carbonara é muito caro (R$60 se considerar os 10%).
    Infelizmente essa é a realidade da gastronomia nas capitais: Paga-se o mesmo ou até mais caro em franquias do que os preços cobrados em locais ‘genuínos’.

    As pessoas estão acostumadas a isso e, convenhamos, o paladar do brasiliense não é lá muito apurado. Aqui valoriza-se muito mais o status de ir no lugar da moda do que o sabor e a qualidade da comida em si.

  2. Posso falar de carteirinha, porque cheguei a ser um frequentador semanal do Abbraccio nos primeiros meses em Brasília. Você está corretíssima sobre a sensação de que é tudo meio artificial. No início encantava a ideia de se entrar em contato com determinados pratos por um preço razoável. Pois o custo-benefício se foi, já que os preços aumentaram consideravelmente neste semestre. As porções, a depender do que se pede, são pequenas e pioram ainda mais a sensação de se pagar muito por pouco. Perderam a mão nos molhos que levam tomate, especialmente no que acompanha os anéis de lula de entrada. Extremamente ácido; e provamos mais de uma vez para ter certeza de que não era apenas um mau dia na cozinha. Ou seja, confirma o que você diz a respeito da comida pré-preparada. É impossível corrigir a acidez do molho no próprio restaurante. Para finalizar, o atendimento que era bastante bom no começo, hoje se encontra abaixo do irmão Outback – único ponto que discordo de você; gosto do estilo deles de atender. Basta a casa encher – especialmente a do Iguatemi- que os garçons ficam perdidinhos e precisam ser acionados várias vezes para o mesmo pedido. É isso.

  3. Nossa, compartilhei da mesma frustração. Pedi da ultima vez um carbonara para nunca mais voltar. O prato estava pesado, frio e intragável.
    E concordo com o Leo, no começo os preços eram bem mais convidativos e a comida, melhor. Caiu demais, tanto na qualidade, quanto no custo-benefício. Não dá pra entender a casa cheia.

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