Pirenópolis – charme x fama

A histórica cidade é destino antigo dos brasilienses. Eu, particularmente, me lembro de ir a Pirenópolis quando criança, com meus pais, e, depois, muitas e muitas vezes com grupos de amigas, namorados, e, mais recentemente, com minhas filhas.

O atrativo é bastante óbvio: proximidade com Brasília, arquitetura colonial que para os brasilienses é sempre agradável aos olhos acostumados à cidade “futurística”, muitas opções para um banho de cachoeira e, para os foodies, muitas opções de restaurantes de comida internacional ou regional.

A cada visita, fica óbvio que a cidade está crescendo. Franquias de Subway e Cacau Show, para mim, seriam inimagináveis em meio aos paralelepípedos de Piri, onde o restaurante mais badalado era o “As Flor”, que além do  nome que divertidamente usa a típica pronúncia goiana que, por vezes, ignora concordância de número, servia comida beeem regional e com fartura. Guariroba (ou apenas gueroba), filé acebolado, arroz, feijão super bem temperado, saladinha, e macarrão, tudo à vontade. De sobremesa, minha maior rejeição: tirando doce de goiaba e a goiabada, eu ODEIO tudo que é tipo de compota. E se quiserem me torturar um dia, basta de forçarem a comer ambrosia. A textura me enlouquece. MAS, para quem gosta, era mais um atrativo do restaurante local. Era não, ainda é.

O antigo Café & Tarsia era o que havia de mais internacional. De fato, comi os melhores espaguete ao pesto e lasanha verde da minha vida por lá, no meio da Rua do Lazer.

Depois, começaram a aparecer as pizzas de forno à lenha, os risotos, as cervejas gourmet, os festivais gastronômicos e, hoje, a cidade é uma miscelânea que, sim, pode ser muito divertida, mas que, necessariamente, veio acompanhada de preços metropolitanos e um foco voltado mais para o “charme turístico” do que para a comida diferenciada.

Enfim, minha última visita incluiu uma pizza maravilhosa num lugar bem caidinho, onde o vinho era daqueles tipo suco de uva (Dom Zé); e um jantar com toda a pompa no Montserrat, indicado por amigos, onde achei o clima meio “travado demais” para uma cidade onde as pessoas vão para relaxar, e onde o ravioloni de carne de lata era muito gostoso, mas me deixou com a sensação de que a noite foi mais para tirar onda do que para aproveitar, sabem como é?

O Aravinda aproveitou os anos de história para embarcar na onda gourmet, mas apresentou um risoto que, estava só ok e usou ingredientes meio desencontrados e com cara “pobrinha”, tirando aquele encanto ao ver o prato chegando cheio de azeitona e ervilha.

A Forneria Pirineus, nas últimas vezes, ganhou disparado nas minhas opções. Apesar de, via de regra, fazer visitas rápidas, sempre me dei bem com a carta de vinhos, o atendimento, a focaccia, a linguiça artesanal e o ambiente fazendo daquele cantinho o meu favorito.

No caminho de volta, pelo trajeto de Abadiânia, valeu até comprar roupitchas indianas brancas para o ano novo, lá perto do reduto de João de Deus, a Casa Dom Inácio de Loyola, e o Jeriva, para estocar queijos, pamonha e coxinha, dispensando apresentações.

O que vocês amam ou não gostam a respeito de Piri??

#Bloco C: por que todo o encanto?

Se você reparar, todo mundo que curte gastronomia em Bsb nunca está falando só sobre a comida. É que, normalmente, quem gosta de comer fora, quer saborear a experiência como um todo, e o atendimento ‘padrão-brasília’ – entenda-se, parece que vão te pagar para você comer e não o contrário – é capaz de tirar todo o sabor da comida, às vezes.

É por isso que um lugar como o Bloco C conquista. A comida já tem uma referência implacável: o Chefe Marcelo Petrarca arrecada hordas de fãs de suas passagens pelo Zuu, Gazebo (onde descobri o infame churros de banana) e Grand Cru. Sua pegada bem clássica, com toques sutis de inovação, acabam agradando muito, principalmente considerando o paladar bastante conservador do brasiliense.

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O cream cheese batido (eu acho) com geléia (ou couli) dava pra comer de balde

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Saladinha com molho de verdade e farofinha de panko

Risotos, filés, peixes, massas e entradinhas clássicas impecáveis, como carpaccio com azeite trufado (eu amei) fazem um cardápio onde a maior dificuldade é escolher um prato só.

A prata da casa é o Filé ao molho de rapadura com risoto de grana padano. Delicioso, principalmente, para mim que amo uma mistura de doce com salgado.

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Meu risoto mágico, lindo e rhyco

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Moqueca de pirarucu. O peixe é perfeito, e a apresentação, linda.

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Prato light: filezão de pirarucu com couscous marroquino.

A moqueca de pirarucu que minha amiga pediu estava linda, e já provei por lá muita coisa sem decepção.

Minha última aposta, porém, me levou aos céus. O risoto de rabada com fois gras grelhado com uma crosta caramelizada é o tipo de prato que dá orgasmos. E assim o foi. Claro, mesmo para uma gordinha das trevas como eu, é um prato riquíssimo, bem forte, indicado para a noite e para um leve jejum anterior. Mas estava divino.

Retomando a argumentação anterior, o “catch” do Bloco C é que, além dessa comida, todo mundo se sente especial lá dentro. Os garçons te cumprimentam, ficam de olho o tempo todo, e dão a todos o atendimento que em muitos locais só é privilégio de alguns parlamentares. Senadora Lulu se achou.

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Churros de banana: imbatível, sempre na moda

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Crepe de limão siciliano com mousse de chocolate. Bom, mas morreu perto dos churros

O preço é bem mais acessível do que se espera de um local desses e a carta de vinhos garante que os fãs possam beber sem o constrangimento de escolher um vinho abrindo mão da entrada para poder pagar. As opções começam em R$70,00.

Com um rosé argentino geladinho, os três pratos à La Carte (a casa tem um ótimo executivo também!), com salada de cortesia como entrada, e duas sobremesas, saiu R$145,00 para cada, considerando que o meu prato era o mais caro por conter fois gras (R$79,00).

E o Chef já tem casa nova, o Inverso, lá para as bandas do Park Shopping, que ainda vou conhecer.

Mas o Bloco C tem meu retorno garantido.

Serviço: CLS 211 BL C

Telefone: (61) 3363-3062

Quelfeitaria

Se tem uma qualidade que admiro nos outros é capricho. Como uma pessoa nada prendada, sempre tive inveja das meninas que têm letra bonita, que conseguem usar branco e chegar no final do dia sem a roupa manchada e que têm a paciência para produzir tortas e brownies e cookies. Tipo, quem tem a casa cheirando à confeitaria parece que recebe ajuda dos passarinhos para se vestir de manhã, branca-de-neve-style.

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Encantadas

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Literalmente com a mão na massa

 Mas, enfim, a galera que teve a infância marcada pela letra feia e os trabalhos meio capengas, sabem melhor do que ninguém ver a falta que faz uma apresentação caprichosa de algum produto.

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A massa que vira cookie

Por isso que, quando minha colega de trabalho veio me contar sobre a sobrinha dela, que é formada em Direito, mas se descobriu uma confeiteira de mão cheia (um viva para as desertoras da advocacia!), eu já fiquei curiosa. Quando ela me trouxe um potão lindo, com camadas de farinha, açúcar branco e mascavo e gotas de chocolate, acompanhado de um cartão super fofo, com a letra linda, eu apaixonei. Pensei na hora: “a confeitaria torna o mundo mais doce literal e metaforicamente”.

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Que tchuca a história dela com os doces

Depois de alguns dias, fiz os cookies em casa. A coisa mais fácil do mundo e me fez sentir a mãe mais realizada também, porque minhas filhas amaram ver a mãe curtindo aquele momento com elas.

Os cookies ficaram uma de.lí.cia. E os potinhos são uma ideia originalíssima de lembrancinha de natal.

Parabéns pelo capricho e pela iniciativa!

 

Serviço: instagram @quelfeitaria

Encomendas: 98184-9510

Shhhhh…este blog está dormindo.

Querido(a) Leitor(a),

 

se você está se dando ao trabalho de ler isto aqui, é porque você é daqueles queridos que realmente param para ler o conteúdo e não apenas ver as fotos. Durante um tempo, eu escrevi só por e para você, e agradeço muito por ter vindo, lido, comentado ou não.

Mas os tempos são duros para os escritores mais românticos, e na correria insana da rotina e o massacre das mídias sociais, escrever bem, escrever feliz, revisar duas vezes, e tentar fazer um texto bacana se tornou quase impossível.

A comida ainda continua sendo minha pornografia. Mas comer fora já não é um ato que posso levar de maneira tão leviana. Em tempos de crise, questionamos quase todos os nossos gastos, né? E, se não for para fazer bem feito, e com prazer, acho melhor dar um tempo.

Mas não priemos cânico pois vai estar quase tudo no facebook.com/melhorpiorbsb. Vou até arriscar um textão ou outro por lá.

Obrigada pela companhia todos esses anos.

Lulu Peters

:-)

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TABUADA BAR: DRINKS & TÁBUAS

#drinks #barzinho #comidinhas #sudoeste #happyhour #melhorepior#lulupeters


Apesar de eu dar nomezinhos para as minhas notas do blog, a verdade é que só existe uma nota máxima verdadeira. Se você é sensível, pare de ler agora. Não quero ofender ninguém, mas a expressão que brota do meu ser quando tenho um orgasmo gastronômico é pu.ta.que.pa.riu.ca.ra.lho.

É, é assim que a felicidade gordinha aparece pra mim.

Depois de acompanhar o hype do Tabuada pelas internetchy da vida, e perder um primeiro convite pra comer e beber de graça, confesso que pensei: mó hipster isso aí. Mas a foto dos Drinks em forma de lata de tinta me provocou um surto neurológico. Se aquela coisa linda era hipster, eu seria também.

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Hoje mesmo, passei na casa pela primeira vez. E pela primeira vez conheci as novas concorrentes dos dinossauros blogueiros: as grammers. Instagramers poderosas, jovens e rhycas. Me senti meio ridícula, MAS as tchucas do @welovefoodbr e @mistureomix foram companhias muito queridas.

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O lance do Tabuada é confundir o cliente. A gente não sabe se bebe e come ou se contempla e leva pra decorar a casa. TUDO é feito com impacto estético. Da coquetelaria super inovadora às tábuas de belisquetes perfeitamente combinados e deliciosos, tudo agrada aos olhos primeiro para agradar o paladar depois.

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Me aguardem, vai rolar de bater ponto.

NOTA DO BLOG: pu.ta.que.pa.riu.ca.ra.lho

Dica: a tábua Fromage, mon amour, com queijos, pêra, geléia e torrada (R$ 45,00) e o drink apaixonante e refrescante Marilyn que vem numa apresentação tão linda que eu beberia até se fosse sabão.

Serviço: CLSW 101, virado pra quadra.(61) 3526-8592

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